Ecad aciona a Justiça contra a prefeitura de Linhares

O município tem dívida de R$ 800 mil com a entidade

Ecad aciona a Justiça contra a prefeitura de Linhares

O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) acionou a Justiça para cobrar dívida de R$ 800 mil contra a prefeitura de Linhares. Segundo o Ecad, o município está inadimplente desde julho de 2025 em direitos autorais não pagos pela utilização pública de obras musicais em eventos oficiais no município do Norte do Espírito Santo.

O descumprimento da legislação federal impede que milhares de compositores, intérpretes e músicos recebam a remuneração legal pelas canções executadas em festas públicas organizadas pelo poder executivo local.

O montante cobrado judicialmente refere-se a grandes eventos promovidos pelo município ao longo do último ano. A lista de inadimplência inclui festas de alta audiência em Linhares, como o Forró Pontal 2025, o Réveillon 2025/2026, a programação de Verão 2026, o Carnaval 2026 e a Festa do Caboclo Bernardo 2026.

Segundo o gerente regional do Ecad no Espírito Santo, Marcos Costa, a falta de pagamento atinge diretamente o sustento dos profissionais da música.

"O pagamento dos direitos autorais não é uma taxa e não é destinado ao Ecad, mas é uma remuneração devida aos compositores e artistas pela utilização pública de suas músicas. Quando um município promove eventos sem essa regularização, quem deixa de receber são os criadores que dão vida à trilha sonora dessas celebrações”, pontua Costa.

O que diz a Lei de Direitos Autorais sobre eventos públicos

A cobrança de direitos autorais em shows públicos é respaldada pela Lei Federal nº 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais). A legislação determina que a execução pública de músicas em palcos, feiras ou praças depende de licenciamento prévio e quitação financeira junto ao Ecad.

Jurisprudências consolidadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinam que a obrigação legal persiste mesmo em eventos gratuitos e sem finalidade lucrativa promovidos por prefeituras. O entendimento do STJ também fixa a responsabilidade solidária dos municípios, o que significa que o poder público responde diretamente pela dívida, mesmo quando contrata empresas terceirizadas ou produtoras independentes para organizar as festividades.

Como funciona a divisão do dinheiro arrecadado pelo Ecad

O repasse dos valores arrecadados pelo órgão segue critérios percentuais rígidos estabelecidos para o setor. Do total pago por organizadores de eventos e órgãos públicos:

85% são destinados diretamente a compositores, intérpretes, músicos, editores e produtores fonográficos;

6% são repassados às associações de música responsáveis pela filiação dos artistas;

9% são retidos pelo Ecad para o custeio de despesas operacionais em âmbito nacional.

O Ecad informou que esgotou as tentativas de conciliação administrativa e de diálogo com os gestores da Prefeitura de Linhares antes de optar pela via judicial. A abertura do processo visa assegurar o cumprimento da legislação federal e garantir a subsistência financeira dos criadores que dependem do pagamento de direitos autorais no mercado capixaba e nacional.





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